Março, de repente

by leonorvaz · 05/04/2026
Published 05/04/2026 12:25

Saí com o casaco vestido.


A meio do quarteirão o ar estava diferente —

não quente, mas com outra temperatura,

como quando se entra num quarto

onde alguém esteve há pouco.


Tirei o casaco.

Fiquei com ele no braço o resto do caminho

sem saber o que fazer

com uma coisa que de repente

não tem função.


Na praça havia um homem num banco.

Sandes na mão.

Olhos fechados.

A cara virada para o sol

como uma planta que não sabe que o está a fazer.


Não me sentei.


Continuei a andar com o casaco no braço

como se carregasse algo

que deixou de pertencer ao dia

mas ainda não percebeu.

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