Descolar
by Duarte S.
· 02/03/2026
Published 02/03/2026 15:14
Levantei o penso pelo canto.
Às sete. De cócoras no chão frio.
O puxão não chegou a ser pranto —
foi mais pequeno. Foi um fio
de pelo preso no adesivo.
A borda cor-de-rosa a ceder.
A pele nova, como um arquivo
aberto, vermelho, a doer
só um pouco. Não foi isso.
Não foi dor o que me deteve —
foi o silêncio preciso
do gesto, feito de manhã cedo, leve,
sem ninguém. A casa quieta.
Eu agachado a olhar o joelho
como se lesse uma nota secreta
escrita naquele quadrado vermelho.