Depois da Saída
by Duarte S.
· 22/04/2026
Published 22/04/2026 17:30
Ela saíra. A porta fechou devagar.
A raiva não teve para onde ir —
ficou comigo, sem ter onde pousar,
e o copo da minha mãe ali.
Empurrei. O som foi curto, duro.
Os cacos no linóleo, em leque.
Não pensei na borda, no azul puro
da pintura dela — não calculei que
ficasse um pedaço virado para cima,
a borda intacta, como se não soubesse.
Fiquei de pé. A raiva já sem vítima,
já sem destino — e o que ficasse
era só o copo dela no chão,
partido por mim, sem razão.