Oito e Catorze
by Duarte S.
· 06/03/2026
Published 06/03/2026 13:03
O ponteiro dos segundos parou
a meio de um arco que não vai fechar.
Meses sem bateria. Ninguém trocou.
O relógio ficou. Deixei ficar.
Esta manhã olhei para o mostrador.
Oito e catorze — fui acreditar.
Dois segundos, talvez três — o calor
breve de uma hora que ia usar.
O telefone. O tempo real. Parei
no corredor com o casaco na mão,
a recalibrar. Não sei por que fiquei
parado mais tempo do que a confusão.
Fiquei ali. O ponteiro no sítio.
As oito e catorze sem se mexer.
O relógio não sabe o que é preciso —
só parou. E acerta. Sem o querer.